Foto: Rian Lacerda (Diário)
O produtor Ênio Francisco Noal, 73 anos, do Distrito de Arroio Grande, em Santa Maria, destaca a redução no custo da ração como fator para baixar o preço do peixe.
A comercialização de pescados para a Semana Santa mobiliza os piscicultores de Santa Maria para a 34ª Feira do Peixe Vivo, que ocorre da próxima terça-feira (31) até a Sexta-feira Santa (3). Com seis pontos de venda descentralizados e a expectativa de comercializar 40 toneladas, o evento deste ano traz um atrativo importante: a redução nos preços. A queda nos valores é reflexo direto do barateamento dos custos de produção, uma realidade vivenciada na Piscicultura Noal, localizada no distrito de Arroio Grande. É de lá que o produtor Enio Francisco Noal, de 73 anos, um dos fundadores da feira, tira os peixes que abastecerão o mercado local.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Natural de Santa Maria, Ênio começou a produzir em 1992, mesmo ano em que ajudou a idealizar a feira ao lado de um colega. Ele conta que a primeira edição ocorreu na praça em frente ao Hospital de Caridade.
– A gente chegou com a caminhonetinha com uns 100 quilos de peixe vivo e faltou peixe, o pessoal ficou com a sacolinha vazia na mão abanando. Foi muito emocionante. Aí fomos para o Centro Desportivo Municipal, depois para a praça da Igreja Irmã Lourdes, até irmos para a Gare – relembra o produtor, que nesta edição atenderá o público na banca 4 que ficará na Gare e também em sua propriedade, na Estrada do Imigrante (ERS-804), das 8h às 20h.

Na propriedade, que fica entre os distritos de Palma e Arroio Grande, o trabalho se divide em três tanques e dois açudes grandes. Ênio cria tilápia, traíra e carpas capim, prateada e húngara. Ele cria cerca de cinco mil peixes nos reservatórios, mas a produção enfrenta desafios.
– A gente coloca 5 mil alevinos todos os anos. Só que a enchente leva, e uns 60% vão embora. Ninguém segura os 100%. Mas esperamos levar mil e poucos quilos para a feira.
Redução nos preços pode aquecer o setor

A grande novidade para os consumidores nesta 34ª edição é a redução dos preços, motivada pela queda no valor da ração. O insumo, essencial para a engorda dos animais, ficou mais barato devido à desvalorização dos farelos derivados de arroz, soja e milho.
– A ração caiu bastante de preço. O ano passado a gente pagava R$ 92 no saco de 25 quilos e hoje estamos pagando R$ 69. Na reunião que realizamos, foi combinado baixar o preço para ver se o consumidor comparece. O gaúcho gosta muito de churrasco, mas, de vez em quando, é bom substituir com peixe.
Além da venda direta nas propriedades e na Gare da Viação Férrea – que concentra oito produtores e oferece limpeza do pescado por R$ 10 –, a feira estará presente na Avenida Paulo Lauda (Bairro Tancredo Neves); na esquina da Rua Radialista Osvaldo Nobre com a Estrada Capitão Amaro Vasco da Cunha (Bairro Juscelino Kubitschek); e na BR-392, próximo à John Deere. Nesses locais, haverá serviço de abate. O evento também marca presença na Avenida Walter Jobim, no Bairro Patronato, e na Fruteira Feltrin, na BR-158, no Distrito de São Valentim. O atendimento ocorre das 8h às 19h entre os dias 31 de março e 2 de abril, e das 8h ao meio-dia na Sexta-feira Santa.
Preços de 2025 x 2026

Neste ano, todas as espécies comercializadas pela Associação dos Piscicultores de Santa Maria (Apism) registraram queda de preço em relação ao ano passado. Confira a diferença por quilo:
- Carpa Cabeça-Grande: Baixou de R$ 16,30 (2025) para R$ 14,90 (2026).
- Carpa Prateada e Carpa Húngara: Baixaram de R$ 20,30 (2025) para R$ 18,90 (2026).
- Carpa Capim: Baixou de R$ 23,30 (2025) para R$ 22,90 (2026).
- Tilápia: Baixou de R$ 23,30 (2025) para R$ 22,90 (2026).
- Peixes Nativos (Traíra, Jundiá, Pacu e Piava): Baixaram de R$ 25,30 (2025) para R$ 22,90 (2026).